APRESENTAÇÃO

O território Jaguaribano é espaço onde se enfrentam visões de mundo diversas, com explicitas diferenças na perspectiva da sustentabilidade política, econômica e socioambiental. O contexto político, econômico e social é desigual nesse território marcado por conflitos entre o modelo desenvolvimentista imposto na região e o modelo experienciado pelos grupos/ comunidade baseado em desenvolvimento solidário e sustentável. Destacamos aqui os territórios em disputa nos municípios da diocese:

·      Agricultura camponesa/familiar X agronegócio explicitada através dos perímetros irrigados para produção de frutas para exportação; Agroecologia X uso indiscriminado de agrotóxicos; Convivência com o semiárido X combate à seca; Luta pela terra, água, resgate da cultura local X expropriação da terra, cultura e identidade; Cuidado com a vida X degradação socioambiental; Coleta Seletiva com inclusão de catadores/as X Consórcio privatizado para gestão dos resíduos sólidos; Políticas públicas emancipatórias X ações paliativas/assistencialistas; Protagonismo dos excluídos/as X Cultura política coronelista/clientelista.


Na contramão dessa realidade vem sendo plantado nesse território sementes de Desenvolvimento Solidário Sustentável Territorial que se explicitam na elaboração dos Planos de Desenvolvimento Local Solidário e Sustentável. Processo construído coletivamente pelos grupos/comunidades locais com foco na ação com crianças, adolescentes e jovens e que querem ver ainda nessa vida os seus direitos já garantidos por lei efetivados.

Os sujeitos acompanhados nesse processo são 15 Adolescentes e Jovens do Grupo Transformadores Solidários, município de Potiretama. O grupo existe há cinco anos e reúne jovens de quatro comunidades da região da Caatinga do Atanásio. Os integrantes do grupo já estão apropriados de algumas tecnologias de convivência com o semiárido, e se dispõe a compartilhar seu conhecimento com outros grupos para o trabalho de difusão dos saberes adquiridos, na perspectiva de ampliação dos sujeitos trabalhados. Os/as jovens se propõem a dar continuidade e ampliar as iniciativas de geração de trabalho e renda aprofundando a discussão sobre EPS (Economia Popular Solidária), através da experiência da Mini-Fábrica de Reciclagem (papel, garrafas pet, papelão, tecidos, sementes, madeira, folhas e etc.) na transformação dos produtos.

 PROBLEMA E SEUS COMPONENTES
Essa sociedade ainda tem uma visão de que o ambiente rural é atrasado, arcaico, fazendo com que não haja uma valorização do ambiente e das pessoas que lá residem. Também, diante da hierarquia de uma sociedade machista e adultocêntrica, essas relações vão se reproduzindo, fazendo com que haja preconceitos entre próprias crianças, adolescentes e jovens que vivem num mesmo contexto.
                Diante desse problema, entendemos que em resposta aos processos de estigmatização são necessários processos de apreensão das realidades e de aprendizagem para o enfrentamento dos problemas. Nosso chão é fazer com que as crianças, adolescentes e jovens se reposicionem na sociedade;
POTENCIALIDADES E PASSOS JÁ ALCANÇADOS. 
                Em resposta a esse contexto, na perspectiva do empoderamento dessas crianças, adolescentes e jovens, desenvolvemos o Projeto Juventudes no Semiárido - voltado a adolescentes e jovens no semiárido. Neles já trabalhamos as dimensões organizativas, culturais e produtivas desses grupos.  
Em relação a esses adolescentes e jovens, temos como passos dados: jovens sensibilizados/as sobre as temáticas agroecologia e economia popular solidária multiplicando os saberes; jovens discutindo e refletindo suas realidades de forma crítica com estímulo a organização dos mesmos também em processos organizativos e produtivos; Mobilização das comunidades pelos/as jovens sobre o uso da água, e a mesma como direito; Resgate da identidade dos/as jovens a partir da convivência com o semiárido; intercâmbio de experiência e troca de saberes entre eles e elas.
Assim, também vemos como potencialidades a questão cultural, a partir do resgate das identidades; processos organizativos e produtivos: continuidade das ações formativas que contribuem para qualificar a influência que exercerão sobre seus contextos, bem como suas unidades produtivas, sejam elas: reciclagem de materiais sólidos e técnicas audiovisuais apropriadas pelos jovens contribuindo para expressão de seus olhares, possibilidades e contextos, contribuindo para a dimensão do trabalho juvenil.

DESAFIOS
                Reconhecemos como desafios o alto índice de jovens que ao concluírem ou abandonarem o ensino médio buscam alternativas de geração de renda em outras cidades e/ou estados, a grande produção e consumo de bens que usam exacerbadamente matéria prima, muitas vezes escassas e não repostas a natureza, a ociosidade de crianças, adolescentes e jovens que poderão ser preenchidas com atividades culturais e produtivas na perspectiva de ajudar na renda familiar e na preservação do meio ambiente, diminuindo a poluição ambiental, inserindo os adolescentes e jovens nesse processo, proporcionando assim a permanência dos mesmos nas suas comunidades e afastando-os dos riscos de envolvimento com drogas lícitas e ilícitas.
Além desses fatores, o grupo necessita de um espaço físico apropriado para o desenvolvimento da atividade com a reciclagem de materiais. Apesar das mobilizações já feitas pelo próprio grupo para conseguir recurso financeiro para a construção desse espaço, houve dificuldade na captação desses recursos devido ao período de estiagem que se prolongou nos últimos três anos.

JUSTIFICATIVA
A necessidade de garantir um espaço apropriado para o desenvolvimento das atividades do grupo, fez com que o mesmo buscasse apoio em vários espaços. Para isso, planejou apresentar o projeto para a câmara de vereadores, comerciantes, amigos e parceiros na perspectiva de arrecadar recursos financeiros para a construção do espaço ainda nesse semestre. Os jovens estão em campo fazendo essas articulações na certeza de que serão protagonistas de sua história.
O orçamento previsto para essa construção é em média cinco mil reais (R$ 5.000,00). Até o momento o grupo conseguiu arrecadar o valor de R$ 400,00. O grupo receberá doações em qualquer valor, que poderão ser depositadas na seguinte conta: Agencia: 1074-x, variação: 51 Conta poupança: 18536-1, nominal ANTONIO D M SANTOS.
Fica nosso agradecimento e a esperança de concretização do sonho de crianças, adolescentes e jovens que poderá se realizar com o apoio de pessoas que acreditam nesse projeto de desenvolvimento sustentável, solidário e territorial.
Representante do grupo:


ANTONIO DEIMY MOURA DOS SANTOS



BÁBARA ALINE DANTAS LIMA

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